Pé Diabético

O que é pé diabético?

O paciente portador de diabetes poderá, no decorrer de sua doença, desenvolver, gradualmente, perda da função dos nervos nos pés e pernas, o que ocasionará perda da sensibilidade e da sensação de toque. É difícil a pessoa dar-se conta porque o processo é muito lento. Chamamos a isso neuropatia.

A neuropatia pode ser autonômica, sensitiva ou motora. Geralmente os pacientes desenvolvem mais de um tipo, ao mesmo tempo.

Na neuropatia autonômica existe perda do trofismo da pele e esta fica seca e quebradiça facilitando a entrada de germes.

Neuropatia autonômica

Neuropatia AutonômicaA neuropatia motora faz com que um grupo muscular prevaleça sobre o outro, comprometido, levando uma articulação a produzir deformidade que, associada à falta de sensibilidade, representa grande perigo de formação de ferida e úlcera.

Pela falta de sensibilidade e consequentemente de proteção o paciente poderá ter ferimentos, bolhas, arranhões, que irão piorando gradativamente até formarem úlceras que, por sua vez, poderão infectar-se e levar, algumas vezes a situações muito graves, que podem evoluir até gangrena e amputações.

Todo diabético desenvolverá o problema?

Não, porém a incidência aumenta com o tempo de doença. A chance é maior se o tempo de doença for maior do que 10 anos.

A neuropatia, que acaba levando ao pé diabético, pode afetar um ou ambos os pés. Depois de desenvolver o quadro em um pé a chance é de 30% de ocorrer no outro. A doença poderá atingir o tornozelo e eventualmente as mãos.

O grande segredo do tratamento é a prevenção e todo paciente diabético deverá ser examinado pelo seu médico que deverá testar a sensibilidade dos pés e, no caso de ser detectada qualquer anormalidade, encaminhá-lo ao ortopedista com experiência no tratamento do pé diabético para fazer um exame mais detalhado e receber toda a orientação necessária para tratar e evitar úlceras.

Recomendações para pacientes com pés insensíveis

O paciente que tem pés insensíveis (pé em risco), em função do diabetes, deverá ter uma série de cuidados tais como:

  • Nunca andar descalço;
  • Diariamente, lavar os pés com cuidado;
  • Evitar temperaturas extremas em contato com os pés;
  • Inspecionar diariamente os pés com auxilio de espelho ou de outra pessoa;
  • Cortar as unhas com muito cuidado;
  • Não usar agentes químicos para remoção de calosidades;
  • Em noites frias, usar meias e nunca bolsa de água quente;
  • Usar meias sem costuras e sapatos especiais;
  • Verificar sempre se não há objetos dentro dos calçados antes de usá-los, pois alguns pacientes são capazes de usar o dia todo um sapato com um objeto dentro sem se darem conta disso;
  • Consultar periodicamente o seu ortopedista.

Se as úlceras já se fazem presentes, o grande esforço deve ser no sentido de evitar que haja infecção. Para tal, fazemos o desbridamento periódico e/ou o uso do gesso de contato total, que poderá acelerar o fechamento das úlceras que, muitas vezes, levam mais de um ano.

Se não tratadas adequadamente, as úlceras podem levar a infecção até o osso.

O tratamento do pé diabético muitas vezes é multidisciplinar e conta com a participação do ortopedista, endocrinologista, cirurgião vascular, fisioterapia, psicólogo, nutricionista, enfermagem, além de ter de contar com uma adequada infraestrutura hospitalar, com os meios necessários de diagnostico de imagem e laboratório.

Nos EUA são feitas mais de 50.000 amputações por ano, em função do pé diabético. No Brasil não temos os números exatos, mas com certeza são bastante elevados em função da falta de um número maior de programas organizados de prevenção.

Como se faz o diagnóstico de um pé insensível?

Através de um exame extremamente simples feito no consultório e que toma apenas alguns minutos. Trata-se do exame com o mono filamento de Simmes-Weinstein.

O paciente acusa se sente o toque de um filamento de nylon em pontos da planta e dorso do pé e esses dados são transportados a uma ficha. Se não existe sensibilidade, o paciente perdeu a capacidade protetora dos nervos do pé.

Alguns dados Importantes
  • O pé diabético é responsável por 25% de todas as internações de diabéticos;
  • Muitas vezes o paciente não sabe que tem um pé diabético;
  • A incidência é maior após os 40 anos;
  • Afeta 15% da população com mais de 65 anos;
  • Nos EUA é responsável por 200.000 mortes por ano;
  • A doença vascular é 30% maior em diabéticos;
  • A incidência de gangrena é 70 vezes maior em diabéticos.
Úlceras (feridas)
  • ÚlceraAs úlceras precedem 85% das amputações;
  • 2 a 3 % dos diabéticos desenvolvem úlceras anualmente;
  • 14 a 24% vão à amputação;
  • Produzem um decréscimo substancial na qualidade de vida.
Prevenção

É vital que o paciente diabético faça uma adequada prevenção para fugir das complicações.

Importante: se o paciente apresenta neuropatia e é portador do que chamamos “um pé em risco” sugerimos que sigam a risca os 10 mandamentos da prevenção.

• Veja as recomendações para pacientes com pés insensíveis.

Como tratar as úlceras?

O tratamento difere entre úlceras infectadas e não infectadas.

Na úlcera não infectada basta fazer o desbridamento semanal que consiste em retirar a crosta dura que se forma em redor da úlcera, desde que não haja uma saliência óssea que ajuda a manter a úlcera por aumento de pressão naquele ponto.

Se existir uma saliência óssea será necessário o uso de palmilhas e/ou sapatos especiais como o sapato de Barouk que libera da carga a cabeça dos metatarsianos ou ainda o tratamento cirúrgico.

Em alguns casos usamos também o chamado gesso de contato total que visa distribuir as pressões por igual na sola do pé.

De uma maneira geral, as úlceras plantares são por neuropatia e as dorsais são vasculares. Na maioria dos casos a doença vascular coexiste com a neuropatia.

 

Tratamento cirúrgico

Osteomielite - Tratamento CirúrgicoO diagnóstico exato da situação é feito através de uma série de exames que podem ser: radiografias, tomografia computadorizada, ressonância magnética, cintilografia óssea, entre outros.

O tratamento cirúrgico pode ser a simples limpeza cirúrgica, a eliminação de saliências ósseas que são parte da causa de úlceras ou até as amputações que visam retirar o osso comprometido quando existir osteomielite que é uma infecção no interior do osso.

O Que Dizem Nossos Pacientes

“Em 2007, procurei o Dr. Renato Slomka, para corrigir uma deformidade óssea na minha tíbia esquerda devido a acidente de trânsito sofrido em 1996. Eu tinha quase 4 centímetros de encurtamento e um desvio segmentar na tíbia. Após a consulta realizada com o Dr. Renato e uma série...”

maisVinícius André Margutti
15 de janeiro de 2011

Porto Alegre Health Care